sexta-feira, 10 de março de 2017

Como melhorar a sua relação




Não sei o que é mais difícil: começar uma relação ou mantê-la. No primeiro caso fala-se muito daquela fase romântica das borboletas na barriga e do frio no estômago, mas a verdade é que também se passa muito tempo às escuras e com vontade de atirar o telemóvel contra a parede (sobretudo quando se está à espera de uma mensagem e ele permanece mais silencioso do que um retiro budista). No segundo dá-se o inevitável mergulho na rotina, no hálito da manhã e na estabilidade. As borboletas vão voar para outro lado, assim como as cerimónias e as defesas. Às vezes descobre-se outra pessoa, às vezes deixa-se de a ver.
Conquistar alguém é um ato conotado com os primeiros tempos mas na verdade devia ser um work in progress sem data de validade, como as obras em Lisboa. Se o Dia dos Namorados servir para falar disso, com os seus ursos abraçados a corações e rosas salpicadas com brilhantes, então viva o Dia dos Namorados.
No Lifestyle do Observador preparámos todo um guia para o próximo dia 14 mas que vai dar jeito o ano inteiro, a começar pelos melhores restaurantes para jantar a dois e os melhores pratos para partilhar, escolhidos pelo Tiago Pais e a Sara Otto Coelho. Para a grande questão de como manter um casal feliz, a Ana Cristina Marques foi ouvir duas psicólogas e um sexólogo e juntou sete dicas para melhorar a sua relação, enquanto a Raquel Salgueira Póvoas se lembrou de quem não pede a sobremesa com duas colheres neste guia de São Valentim para solteiros. E enquanto a Helena Magalhães andou a beijar guardanapos para escolher 10 batons que não saem nem mancham (e que podem dar jeito para saídas românticas), eu tratei das sugestões de prendas para ele e para ela (sem ursos nem brilhantes, porque há limites).
Se quer mesmo impressionar, vale a pena reler e pôr em prática os grandes gestos românticos do século passado, recordados pelo Tiago Tavares, ou copiar as declarações arrebatadas que a Sílvia Silva ouviu na rua.
Também pode fazê-lo mostrando-se bem informado. Neste caso, com três notícias que avançámos em primeira mão esta semana: a da primeira web summit de vinhos do país, a da abertura em Lisboa do restaurante do chefe espanhol com mais estrelas Michelin, Martín Berasategui, e ainda a que conta todos os detalhes do comboio presidencial que vai regressar ao Douro.

Por ANA DIAS FERREIRA, in Lifestyle

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Benching: quando espera sentado numa relação

circa 1956: Two girls take a break from their summer jobs at the Palisades Amusement Park, New Jersey to bask in the noontime sun. (Photo by Sherman/Three Lions/Getty Images)

Se é vítima de “benching” pode aproveitar e fazer uma sesta. Tem tempo até à próxima mensagem. (Foto: Getty Images).

Como o próprio nome indica, benching vem de bench, que em inglês significa banco, ou seja, é o ato de ficar no banco. Em pleno Euro 2016 não estamos, no entanto, a fazer nenhuma referência a Rafa ou a Éder — estamos a falar de relações. O nome tem um mês, mas o ato em si é mais velho do que quem o pratica.
 
Mas o que vem a ser o benching? Passamos a explicar. Quando conhece alguém — regra geral no Tinder ou numa rede social –, têm um ou dois encontros e essa pessoa subitamente deixa de lhe responder às mensagens, para umas semanas mais tarde voltar a dar sinais de vida, isso é benching. A comunicação é intermitente e pressupõe convites para jantares ou cafés que à última da hora nunca acontecem. E isto pode durar meses. Quem está “sentado” acha que é uma questão de timing e que, eventualmente, a coisa vai dar-se.
 
As desculpas pela ausência inexplicável são sempre elaboradas, envolvem agendas preenchidíssimas, prazos de entrega de trabalhos ou problemas familiares que são corroborados por fotografias tiradas com um único propósito: iludir a pessoa sentada.
 
Quem “senta” outra pessoa fá-lo por indecisão e para manter as suas hipóteses em aberto. Não tem a certeza de gostar o suficiente para assumir uma relação, mas não quer descartar essa possibilidade — está à espera de que apareça alguém melhor e não se quer comprometer, para além de estar de olho em mais dois ou três pretendentes. Quer ver no que vai dar e, no caso de não dar com alguma das alternativas, não fica sem ninguém. Tem sempre alguém seguro, no banco.
Há dois tipos de benching: quando alguém é solteiro e está ocasionalmente com outra pessoa de quem não tem a certeza se gosta ou não, mas não quer deixá-la ir, e quando alguém está numa relação e não tem a certeza de querer continuar nela, mas prefere não acabar e começar a procurar outras opções.
 
Segundo escreve o The Telegraph, as “benchees” também servem para acompanhar a casamentos ou para quando a pessoa não quer chegar a uma festa sozinha e sabe que basta mandar uma mensagem no Whatsapp para arranjar um par. Para quem está sentado isto só aumenta a incerteza de não saber se aquela pessoa gosta efetivamente de si ou não. Basicamente o que lhe passa pela cabeça é: se não gostasse de mim não me mandava estas mensagens versus se gostasse de mim não ficava tanto tempo sem dizer nada.
 
Porque é que tanta gente cai nesta história? Porque o bencher (aquele que pratica o benching) é atencioso, tem o cuidado de perguntar à pessoa como é que ela está, como foi o seu dia, além de uma série de outros cuidados que são interpretados como interesse genuíno. Mesmo que isso só aconteça de duas em duas semanas e seja sempre por telemóvel.
 
O que diferencia o benching do ghosting é que no último a pessoa desaparece sem aviso e de vez, isto é, não volta para se assegurar de que não perdeu nada. De acordo com a revista nova-iorquina BetaMale, o benching é bem mais traiçoeiro do que o ghosting ou do que simplesmente dizer que não está interessado e acabar com tudo de uma vez. Uma vítima de ghosting pode fazer o seu luto quando se apercebe do fim da relação — mesmo que não encontre uma explicação –, já a vítima de benching não sabe em que pé estão as coisas porque a pessoa desaparece e aparece constantemente.
 
Jason Chen, editor da BetaMale, acredita que esta é uma prática essencialmente dos homens. As mulheres entram em jogos com homens que conhecem há muito tempo e com os quais têm confiança, mas não são capazes de o fazer com alguém que acabaram de conhecer. Até porque elas ainda se regem bastante pela ideia de o homem ter de dar o primeiro passo.
 
A verdade é que o nome até pode ser recente e as aplicações de encontros até podem propiciar um acréscimo da prática, mas infelizmente o conceito não tem nada de novo. É o velho “iludir alguém” com uma roupagem nova e tecnológica.
 
Se depois de ler este texto chegou à conclusão de que está “sentado/a”, tem duas opções. Pode sentar a outra pessoa de volta ou pode levantar-se e ir à sua vida. Porque quando o benching acontece, a velha máxima de “ele/a não está assim tão interessado” continua a ser verdadeira.

Por Carolina Santos in Observador

terça-feira, 7 de junho de 2016

7 coisas que não devemos aceitar numa relação amorosa


Numa relação amorosa sólida não nos devemos contentar com o suficiente: existem certas coisas com as quais não nos devemos resignar.
O site norte-americano Huffington Post falou com especialistas matrimoniais e fez uma lista com os aspetos que não devemos aceitar numa relação.
1. Uma pessoa que não dá tudo pela relação: se o outro não se compromete e passa o tempo todo ‘desligado’ da relação, o melhor é não investir muito no futuro deste relacionamento.
2. Uma pessoa que não admite estar errada: “Quando não estamos abertos a admitir a responsabilidade do que fazemos, não estamos abertos a aprender e mudar. E se não conseguimos mudar e crescer, não seremos capazes de nos adptar às mudanças na nossa vida nem às necessidades de mudança dos nossos parceiros”, diz um dos terapeutas ouvidos pelo Huffington Post.
3. Uma pessoa que não cresce connosco: temos de estar com alguém que esteja disposto a aprender e a crescer connosco ao longo da vida. Não vale a pena perder tempo com alguém que não quer ser melhor.
4. Uma pessoa que é demasiado dependente de nós: devemos completar-nos um ao outros, mas devemos saber estar bem connosco e sentirmo-nos realizados enquanto indivíduos. Se a pessoa com quem estamos é demasiado dependente de nós, acaba por se tornar numa pessoa tóxica, que não contribui para o nosso bem-estar.
5. Uma pessoa que não partilha o nosso sentido de humor: Se gostamos de humor negro e a outra pessoa não consegue entender as nossas piadas, é meio caminho andado para uma relação sem futuro, com obstáculos mais difíceis de enfrentar (tudo se torna mais fácil ao som de uma gargalhada…)
6. Uma pessoa que não é amiga: devemos estar apaixonados pelas pessoas com quem estamos, mas também devemos ver nelas um verdadeiro amigo, que nos ouve quando estamos em baixo, que tem paciência para os desabafos e a quem podemos contar os nossos segredos. Além de paixão, tem de haver carinho.
7. Uma pessoa que não nos admira: se a pessoa com quem planeamos passar o resto dos nossos dias não admira as nossas conquistas, quem irá apoiar-nos durante os momentos decisivos, confiar nas nossas decisões e felicitar-nos pelas etapas superadas?

Artigo publicado no Jornal Sol

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Sente-se sempre cansado? 10 hábitos que tem de mudar

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Quando chega ao trabalho já está cansado? Ou acorda com mais sono do que tinha à noite? Algumas mudança em hábitos simples podem aumentar a energia do corpo e tirar o ar de zombie da sua cara.


Está a precisar de energia? Há coisas que pode mudar no dia-a-dia para se sentir menos cansado.

É daqueles que se arrasta da cama todas as manhãs a discutir com o mundo e a desejar que a noite chegue rapidamente para se voltar a deitar? Que passa a manhã a lutar contra o sono? Que tenta ir ao ginásio depois do trabalho mas sente-se demasiado cansado? Tendemos a culpar o dia-a-dia agitado, o trabalho, os filhos, o trânsito para a falta de energia constante mas, na verdade, sentirmo-nos sempre cansados pode estar relacionado connosco próprios.

O Royal College of Psychiatrists diz que, em qualquer momento, uma em cinco pessoas sente-se invulgarmente cansada e uma em dez tem fadiga prolongada, fenómeno que atinge mais as mulheres do que os homens. Ocasionalmente, o cansaço pode estar relacionado com problemas de saúde mais graves mas, regra geral, bastam duas a três semanas com algumas mudanças no estilo de vida para se recuperar a energia. Eis 10 hábitos que tem de mudar:

Menina, Comer, Modelo, Loira, Chapéu, Muito, Refeição



Comer pouco ou mal
Todas as dietas malucas têm consequências. E comer pouco ou os alimentos errados ao longo do dia é uma óbvia causa de cansaço constante. Começar o dia com bolos, por exemplo, é um erro porque os níveis de açúcar no sangue vão ter um pico e depois vão cair, deixando o organismo lento. O mesmo se aplica a tudo o que esteja carregado de açúcar e carboidratos — ou que seja recolhido pela janela do drive-in. Se almoça todos os dias qualquer coisa rápida no fast-food mais próximo do trabalho, o seu corpo vai ressentir-se não só nos quilos a mais mas também nos picos de açúcar no sangue. Alimentarmo-nos bem é meio caminho andado para manter os níveis de energia equilibrados.

Falta de vitamina D
O sol é responsável por cerca de 90% da aquisição de vitamina D pelo nosso corpo, daí a necessidade básica de nos expormos à luz para fortalecer o sistema imunológico. E, para quem passa o dia no escritório ou trabalha em sítios fechados, é normal o corpo sentir-se mais cansado. Alimentos com vitamina D como peixes gordos, leite, iogurte, ovos e sumo de laranja vão ajudar a manter o corpo com energia. Os suplementos também são uma boa forma de compensar a falta de vitamina D mas uma pequena caminhada de 10 minutos todas as manhãs pode fazer milagres.

Dormir pouco
Esta é óbvia: falta de sono cria cansaço. Se é daqueles que, ao invés de acordar cedo, prefere ficar a trabalhar pela noite dentro, o sono em horários trocados pode criar fadiga prolongada. A idade também está relacionada: os bebés precisam de dormir cerca de 16 horas por dia, os adolescentes cerca de nove. Para nós, adultos, a regra é simples: 8 + 8 + 8. Que é como quem diz, oito horas de descanso + oito horas de trabalho + oito horas de lazer. É o número mágico para um corpo em forma. Trabalhar 12 horas e depois fazer um período prolongado de sono (o que os ingleses chamam de binge sleeping ou dormir durante muitas horas seguidas) vai deixar o corpo mais cansado do que relaxado porque não restaura o ritmo normal.
Não fazer exercício porque se está cansado
A revista americana Health diz que falhar o exercício quando se está cansado é, na realidade, pior para o corpo. Ao invés de poupar energia ao ir para casa e não para o ginásio, o corpo fica ainda mais cansado. O exercício regular aumenta a força e a resistência, faz com que o sistema cardiovascular funcione com mais eficiência e fornece oxigénio e nutrientes aos tecidos. Se não tiver energia suficiente para duas horas no ginásio depois do trabalho, faça, pelo menos, uma caminhada e guarde os treinos mais fortes para outro dia.

Beber pouca água
Não são só os rins que sofrem e grande parte do cansaço está relacionado com a desidratação. Um valor tão baixo quanto 2% menos hidratado do que o normal já vai sobrecarregar os níveis de energia do corpo. Perdemos em média 2,6 litros de água por dia sem fazer nenhum tipo de exercício intenso — H20 que tem de ser recuperado com, pelo menos, 10 copos de água. Se é daqueles que só de pensar em beber dois litros de água por dia já fica sem sede, infusões e águas com sabores podem ajudar.

Falta de ferro
Um dos principais sintomas da anemia é o cansaço extremo mas não é preciso entrar já em pânico. Falta de ferro no corpo já o vai deixar lento e fraco porque há menos oxigénio a chegar aos músculos e células. Aumentar a ingestão de ferro já vai potenciar energia no corpo. Experimente feijão, carnes magras, vegetais de folhas verdes escuras, nozes, ovos, ervilhas. Uma forma de aumentar a absorção de ferro pelo corpo é consumir estes alimentos com outros ricos em vitamina C como laranja, morango e pimentão.
Foto: iStock

Demasiados cocktails ou refrigerantes
orange, vitamin c
Uma cerveja ou um cocktail ao almoço ou depois do trabalho podem fazer bem à alma mas não tanto assim ao corpo. A revista Glamour espanhola explica que a qualidade do sono é sensível aos efeitos do álcool. Mesmo que ache que o vão ajudar a dormir, a realidade é que quebram e tornam o sono mais leve. O mesmo se aplica às bebidas açucaradas. Não só fazem mal à pele, porque envelhecem prematuramente, como também afetam o descanso. E, como dissemos lá em cima, dormir pouco cria fadiga prolongada.

Não tomar o pequeno-almoço
A revista americana Health explica que os alimentos são como combustíveis para o nosso corpo e, enquanto dormimos, continuamos a usar aquilo que consumimos durante o jantar da noite anterior para manter o sangue a bombear e o oxigénio a fluir. De manhã, o corpo precisa de se reabastecer porque o depósito está vazio. Se é daqueles que trabalha até tarde, acorda, por isso, mais tarde e passa logo para o almoço, está a deixar o corpo cada vez mais cansado. O pequeno-almoço é como um shot de energia porque vai “acordar” o metabolismo. Daí a importância daquilo que ingerimos de manhã: grãos integrais, proteínas magras e gorduras saudáveis — não aquilo que comemos ao almoço.

Não descansar o corpo
E por descansar pode considerar horas de almoço, períodos pós-laborais e férias. Almoçar em frente ao computador ou o simples ato de ver o e-mail quando está em casa com os seus filhos ou à beira mar na semana de férias que tirou pode levar, a médio prazo, a riscos de burnout ou esgotamento laboral. É importante desconectar não só ao longo do dia mas ao longo do tempo, permitindo que o corpo e a cabeça relaxem verdadeiramente.
Tired, work
Ilustração: Aleutie/iStock

Ficar nas redes sociais antes de dormir
Confesse: quantas vezes já ficou a rolar pelo Instagram antes de adormecer? Mas a luz ofuscante de um tablet ou do telemóvel pode prejudicar o ritmo circadiano natural do corpo através da supressão de melatonina, a hormona que ajuda a regular os ciclos de sono e vigília, escreve a revista Health. O ideal será evitar toda a tecnologia de uma a duas horas antes de se deitar para reduzir os riscos de interferências no sono.
Por Helena Magalhães, in Observador

domingo, 13 de março de 2016

Divórcio dos pais ou divórcio dos filhos?



São inúmeras as razões que poderão conduzir um casal para uma situação de divórcio e diversas as formas como cada divórcio poderá ser encarado. Cada casal, e cada elemento que o constitui, tem as suas próprias razões e características que influenciarão o decurso e o desfecho de cada processo. Nos casos em que se verifica a presença de filhos é fundamental que os pais tomem consciência de que o divórcio transformará completamente a vida dos mais pequenos.

Muitos pais têm dificuldade em perceber que a existência de um conflito conjugal não implica que exista também um conflito parental. Em muitos casos, o sofrimento que estão a sentir enquanto casal impede-os de perceber o sofrimento das crianças, quase sempre inevitável. Porém, o modo como as crianças reagem depende da forma como seus pais se comportam, encaram esta mudança e agem.

A partir do momento em que os pais decidem avançar com o divórcio as crianças deverão ser informadas pelo pai e pela mãe em conjunto, através de uma conversa previamente planeada, calma, aberta à expressão de sentimentos e adaptada ao nível desenvolvimental das crianças, poupando-a de pormenores sobre as causas do divórcio. Este deverá ser um momento de proximidade com os filhos e de demonstração do seu amor incondicional por eles.

Algumas crianças tendem a culpabilizar-se pela situação, sendo fundamental que os pais lhes assegurem que a responsabilidade não é sua. Além disto, é comum os mais pequenos recearem a perda de um dos progenitores, pelo que estes deverão assegurar a sua presença na sua vida futura.

Perante esta situação as crianças poderão reagir de diversas formas, dependendo da sua idade. As mais pequenas poderão manifestar irritabilidade, zanga, medo, sintomas físicos (dores da barriga, etc.), tristeza, desejo de reconciliação, sentimentos de culpa, etc., enquanto as mais velhas, nomeadamente a partir do início da adolescência, poderão reagir com sentimentos vergonha, traição, afastamento e tristeza. Todos estes sintomas poderão ser minimizado quanto menor for o envolvimento das crianças no conflito conjugal.

Um divórcio implica sempre a saída de casa de um dos cônjuges e/ou, em alguns casos, das próprias crianças. Resta-nos questionar se o cônjuge que permite que as crianças saiam de casa ponderou sobre o impacto que esta abrupta alteração de rotina, ambiente e espaço terá no desenvolvimento emocional destas. Durante um processo de divórcio a rotina das crianças deverá ser alterada o mínimo possível, pelo que, na maioria das situações, deverá ser um dos pais a abandonar a casa.

A saída de casa deverá ser efectuada na ausência dos filhos, evitando que este momento fique para sempre gravado na sua memória. A partir deste momento as crianças passam a ter duas casas. A apresentação da nova casa deverá ser efectuada calmamente, depois de alguma preparação.

Embora em casas separadas, a presença dos dois pais na vida das crianças é imprescindível, pelo que o contacto e a expressão os seus sentimento pelo progenitor ausente deverá ser respeitada. Aplicar um regime de visitas quinzenal é divorciar os filhos do progenitor que não detém a guarda. As crianças têm o direito de estar várias vezes por semana com ambos os pais, assim como de poder contactar diariamente com o progenitor ausente.

Muito mais há a dizer sobre as crianças e o divórcio. Certamente voltaremos a aprofundar este assunto em artigos futuros.

Paulo Coelho - Psicólogo, in "mim – Clínica do Desenvolvimento".

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Como acordar com mais energia em 8 passos



Se é dos que quando o despertador toca só lhe apetece ignorá-lo (ou mesmo parti-lo...) e ficar debaixo dos cobertores, vale a pena conferir estas oito dicas.

1- DURMA

Parece senso comum, mas a verdade é que não há melhor truque para acordar "fresco" do que uma boa noite de sono. E para isso, há alguns cuidados a ter em conta:
- Nada de cafeína durante a tarde
- Ao jantar, não beba mais do que um copo de vinho, uma vez que, em grandes quantidades, pode facilitar o adormecer mas depois vai levá-lo a acordar várias vezes durante a noite
- Atenção à temperatura do quarto: uma queda na temperatura é uma "pista" natural que faz o corpo adormecer
- Não fazer exercício perto da hora de dormir
- Afaste-se de todos os ecrãs - sim, smartphone incluído - uma hora antes de dormir, uma vez que a luz leva o cérebro a pensar que é de dia
2 - LEVANTE-SE SEMPRE À MESMA HORA, MESMO AOS FINS-DE-SEMANA

O nosso ritmo circadiano, o processo biológico que conduz o ciclo sono-vigília, precisa de consistência para funcionar corretamente.
Nem todos precisam oito horas de sono por noite. Mas se se levantar todos os dias à mesma hora, o seu próprio corpo vai começar a indicar-lhe a melhor hora para se deitar para conseguir esse número de horas ideal de descanso.
3- NÃO CARREGUE NO BOTÃO DOS "MAIS CINCO MINUTOS"

Por irresistível que possa parecer ficar "só mais um bocadinho", quando o despertador tocar, levante-se. Deixar o despertador ir tocando de x em x minutos só leva a um sono fragmentado que vai fazê-lo acordar mais cansado. Se não confia em si próprio... aceite o velho truque de colocar o despertador num sítio onde não lhe chegue sem se levantar.
4 - BEBA ÁGUA ASSIM QUE SE LEVANTAR

Ao contrário do que possa parecer, perdemos muitos líquidos enquanto dormimos. A desidratação pode causar uma sensação de lentidão e sonolência, pelo que beber água logo ao despertar pode ajudá-lo a sentir-se mais alerta.
5 - PROCURE LUZ

A luz é o principal elemento que influencia os ritmos circadianos, portanto há que levantar os estores ou afastar cortinados mal acorde. Se o quarto não tem luz natural, é de considerar a hipótese de uma luz programável que simule o amanhecer. Mais simples ainda: acenda a luz mal se levante.
6- RESPIRE

Um estudo da Universidade de Oxford descobriu que a respiração usada no Yoga têm um efeito revigorante física e mentalmente. Numa das suas formas simples pode ser feita deitado na cama: inspire profundamente pelo nariz, enchendo de ar primeiro a barriga, que deve expandir-se como um balão. Continue a inspirar, expandindo agora as costelas. Quando já não conseguir inspirar mais, expire lenta mas completamente através do nariz. Repita entre 6 a 10 vezes.
7 - FAÇA EXERCÍCIO TODAS AS MANHÃS

O exercício não precisa de ser vigoroso. Na verdade, exercícios suaves de Yoga ou Tai Chi mostraram-se eficazes na missão de começar o dia com mais energia (pode procurar vídeos no YouTube). O ideal seria praticar por 20 minutos, mas cinco de atividade mais intensa cumprem o objetivo.

8 - TOME UM PEQUENO-ALMOÇO RICO EM PROTEÍNAS
De manhã, a proteína converte-se em dopamina, que energiza o corpo. A carne é uma fonte óbvia, mas há vários alimentos ricos em proteínas: feijão, ervilhas, ovos, soja, avelãs e sementes. Hidratos de carbono (pão e cereais) devem ser consumidos com moderação, assim com alimentos processados com muito açúcar adicionado, que vão provocar uma sensação de moleza.
Artigo publicado in Visão

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Treino das emoções - Desenvolvimento Relacional


Costuma desenvolver relacionamentos amorosos complicados? Já pensou que a culpa pode ser sua?
Melhorar um relacionamento, implica necessariamente que ambos, tenham maturidade e consciência para reconhecerem as falhas  e, humildade para pedirem desculpa quando fazem algo de errado.

Acontece que muitas pessoas costumam culpar os outros pelas dificuldades que surgem na relação. Responsabilizam a pessoa que têm ao seu lado pelas falhas, mas quase nunca aceitam os seus próprios erros. Isso costuma acontecer com alguma frequência e está convencida de que o mau funcionamento ou o fracasso das relações é condicionado pela escolha das pessoas erradas? Este artigo pode ajudar a clarificar algumas situações. 
É importante analisar a razão pela qual isso acontece. Serão sempre as outras pessoas a falhar? Mas a única pessoa que permanece em todos os relacionamentos é você!
Uma relação é construída por duas pessoas com personalidades distintas. Poderá ser só uma das pessoas a falhar? Não é provável que isso aconteça. Existem maiores probabilidades de uma delas cometer erros mais vezes.
Podem existir várias situações prováveis, até pode acontecer que uma cometa mais erros e consequentemente que o outro parceiro esteja mais vezes certo. Poderá haver alturas em que estão os dois certos. Por último poderão ambos estar errados, mas nenhum deles quer ou consegue reconhecer ou admitir que falhou. Seguindo esta linha, isso implica que ambas erram e acertam em maior ou menor percentagem.
A melhoria da relação deve ser baseada na procura de um equilíbrio, envolvendo atenção permanente de ambos.
A responsabilidade do bom ou mau funcionamento da relação nunca será simplesmente só de um, se ambos a desejam e pretendem fortalecer a ligação. Mas, se não se esforçarem os dois, sendo só uma das partes a querer realmente construir uma relação sólida, o resultado mais provável é que a relação estagne, não consiga fluir… até ao momento em relação começa a morrer aos poucos.
Após essa fase, principalmente se não existir comunicação entre o casal, um começa a sentir-se insatisfeito e o outro acaba por reagir de igual modo.
Começa assim a fase dos problemas e dos conflitos permanentes. É o que ocorre quando os dois não estão em sintonia ou não se empenham com o mesmo vigor, na sua construção da relação. A casa desaba à mínima tempestade, porque não tem uma estrutura forte para continuar.
Começa a fase em que se culpabiliza o outro por tudo o que de mau acontece. Nenhum assume os seus erros pelo mau funcionamento da relação, como se apenas um deles fosse o responsável por tudo o que aconteceu até aí.
Qualquer relacionamento tem bons e maus momentos, altos e baixos, mas para se construir um bom relacionamento, tem de existir flexibilidade, tolerância, boa comunicação e a aceitação de que o outro não pode ser sempre perfeito. É importante evitar opiniões formatadas, juízos de valor, comparações com pessoas de vivências passadas e estereótipos. É fundamental existir vontade de reequilibrar a relação.
Resolva os problemas à medida que forem surgindo, não guarde as pedras no sapato ou vai ter dificuldade em caminhar. Esclareça todas as questões e fale do que sente. Isso é sempre importante! 
A comunicação e o diálogo construtivo é sempre o melhor caminho para a resolução de problemas. Evite acumular tudo o que incomoda. Se isto costuma acontecer, é fácil adivinhar o resultado! Um dia, alguém vai acabar por rebentar quando menos se espera, agravando, assim, os efeitos colaterais.
Procure não tentar adivinhar o que a outra pessoa deseja. Se tem dúvidas, pergunte! Deste modo, livra-se de inquietações. Não espere que passe ou arrisca-se a ver um grão de areia transformar-se numa rocha onde nada poderá existir - muito menos o amor.
Ter consciência das razões pelas quais os relacionamentos anteriores não funcionaram e analisar as suas falhas será certamente a melhor forma de, futuramente, conseguir ter a relação desejada!
Mas após tantos encontros e desencontros, chega uma altura da nossa vida em que é preciso analisar melhor as razões que contribuíram para o fracasso dos relacionamentos anteriores. Repensar sobre os motivos que originaram relações tão complicadas.
Quando esse trabalho não é realizado, contribuí em muitos casos só para aumentar defesas, receios e medos, consequência das marcas profundas das anteriores relações, condicionando a permeabilidade a novos relacionamentos.
E porque somos seres sociais, todos nós precisamos de ter alguém ao nosso lado para amar. Mas saber amar é uma arte que se aprende e desenvolve. Se tem essa perceção ou questões internas por resolver, acredite que, na maior parte das vezes, só com ajuda profissional poderá encontrar as respostas para esses desencontros. Adiar só agrava e aumenta o sofrimento.
Quanto mais eu me conheço, mais melhoro e, consequentemente, melhores relações atraio! Se isto faz sentido para si, SINTA primeiro, escute o seu coração, não se culpe pelos fracassos, este é o caminho a seguir – Basta querer!
Inscrições para grupos terapêuticos de Treino das emoções, com o objetivo de aprender a desenvolver uma estrutura emocional forte, por forma a criar relações mais saudáveis.
Será realizado em pequenos grupos, máximo de 6 pessoas.
Vantagens de ser em grupo:
-Preços mais acessíveis;
- Melhor eficiência na orientação para as dificuldades a ultrapassar;
-Troca de experiências emocionais, o que potencia mudanças mais rápidas.
Horários: Quinta-feira, Sexta às 18h:30m.
Duração: 1 vez por semana – 1h:30m.
Custo: 7,5€ por sessão (Inscrição mensal).
Local: Lisboa


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Sofre de timidez ou de fobia social?


Costuma sentir elevada ansiedade, suores, falta de ar, aumento da frequência cardíaca  quando está na presença de outras pessoas?  Costuma corar, ficar com as mãos transpiradas, sentir a boca seca e dificuldade em falar? Procure perceber se é por ser uma pessoa mais reservada ou se sofre de fobia social.
 

A timidez é um estado natural que impede a normal evolução das relações sociais, algo essencial ao ser humano. Deriva da ansiedade, mais concretamente, do medo de estar exposto aos outros e comunicar com eles, principalmente em contextos pouco familiares ou em situações às quais não se está habituado, como acontece por exemplo numa entrevista de emprego.

Este medo pode ter intensidades diferentes, umas sentem maior desconforto e ansiedade do que outras no momento em se sentem expostos. Em função dessa ansiedade, podemos as distinguir, dois tipos de pessoas, as mais reservadas e as que sofrem de fobia social.

No caso da fobia social ou timidez social, os sintomas são muito mais limitantes por existir medo ou ansiedade intensa em vários contextos diários que conduzem, muitas vezes, a estados depressivo em que a pessoa modifica muitas das suas rotinas e se afasta de interações sociais, podendo chegar ao isolamento.

O motivo desse isolamento ou afastamento é a crença das pessoas em serem inferiores, sentindo assim um pavor de serem agredidas ou humilhadas no contacto com os outros, por exemplo, quando no passado sofreram situações traumáticas, no seu contacto social, actualmente podem sentir repulsa a estas (vítimas de bullying). Muitas vezes, estes receios desenvolvem-se sem a pessoa ter consciência do que está a acontecer e aumentam gradualmente, podendo causar enorme sofrimento e levar ao já referido isolamento. 

As pessoas que sofrem de fobia social apresentam características de submissão, são pouco comunicativos e assertivos, evitam a todo o custo falar sobre si, costumam ter fraco contacto visual e tom de voz. Socialmente é frequente recorrerem a bebidas alcoólicas ou a outro tipo de substâncias, por forma a diminuir a sua inibição. 

Estes tipo de sintomas influenciam e muito, muitas das actividades diárias. Muitas vezes condicionam a procura de emprego e o seu desempenho profissional ou escolar, veja-se o caso de querer evitar todos os locais de trabalho que impliquem contacto com outras pessoas! 

É importante fazer o diagnóstico e procurar ajuda quando a ansiedade e os receios interferem na rotina diária e afectam o relacionamento interpessoal. É necessário procurar ajuda para conseguir a libertação dos medos da exposição social, por forma a encontrar as causas inconscientes deste comportamento.

Os casos de Fobia Social podem originar estados depressivos muito limitadores, como Depressão profunda, impedindo a pessoa de estabelecer qualquer tipo de contacto social.

O tratamento desta perturbação é importante para que a pessoa consiga voltar a ter uma vida normal e, sinta novamente harmonia e tranquilidade no contacto com os outros. Desta forma, é aconselhável recorrer a um psicoterapeuta para efectuar o diagnóstico e iniciar o tratamento o mais cedo possível, ajudando a pessoa a libertar-se da sua timidez social.

Maria Pascoal     

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Os homens têm medo da sexualidade das mulheres


Entrevista realizada a Nuno Monteiro Pereira, coordenador do estudo “Epidemiologia das Disfunções Sexuais em Portugal” realizado em 2011, onde discute a sexualidade feminina, as suas complexidades e evolução de como a sociedade olha para o sexo.


Acredita que o Flibanserin poderá representar uma revolução para as mulheres, como o Viagra foi para os homens?
Não. O Viagra foi lançado em 1998 e representou uma revolução farmacológica pela sua extraordinária eficácia e uma revolução cultural, porque a disfunção erétil deixou de ser um tabu total e passou a ser vista como uma doença relativamente à qual se pode pedir ajuda. Com o Flibanserin não vai acontecer isso. Acredito que possa ter alguma eficácia no sentido de aumentar o desejo, mas só no caso de uma percentagem relativamente pequena das mulheres. Aliás, os ensaios clínicos já sugerem isso. De qualquer forma vai ser importante porque até agora não havia praticamente nada para as mulheres, exceto testosterona. Mas a falta de desejo por baixa testosterona não atinge mais do que 10% ou 15% das mulheres.
Qual é a prevalência da falta de desejo sexual nas mulheres? 
De acordo com o estudo epidemiológico que coordenei sobre a disfunção sexual, o desejo hipoativo atinge cerca de 35% das mulheres portuguesas. É um número elevado, mas menor do que o apontado na maior parte das estatísticas internacionais. Ou seja, há menos disfunções do desejo na população feminina portuguesa do que na do norte da Europa ou na norte-americana, por exemplo, onde os estudos apontam para uma prevalência de cerca de 60%.
Porquê? 
Há vários fatores. Por um lado, há menos problemas hormonais no sul da Europa do que no norte da Europa ou nos Estados Unidos. A testosterona, que é a hormona que determina o desejo, tanto nos homens como nas mulheres, é em geral mais elevada nos países quentes. Mas claro que também há fatores socioculturais muito importantes. A ideia de que há maiores reservas em relação à sexualidade nos países latinos, por causa da influência da Igreja Católica, nunca foi provada. Pelo contrário. A sexualidade é mais saudável no sul da Europa do que no norte da Europa e nos Estados Unidos, onde os tabus são devastadores e há um puritanismo maior.
A que se deve a falta de desejo no caso das mulheres?
O desejo sexual feminino é extremamente complexo e dependente de vários fatores. Por um lado, a expressão da sexualidade feminina sempre foi muitíssimo mais reprimida. Uma mulher que exprimisse desejo era considerada leviana. Felizmente, isso está a mudar, mas esse ainda é um dos fatores inibitórios do desejo. Por outro lado, os mecanismos cerebrais do desejo sexual são muito mais difíceis de funcionar, e de perceber, na mulher do que no homem. Do ponto de vista puramente orgânico, o homem é muito mais básico. Ou melhor, menos complexo. O modelo de resposta sexual do homem é linear — desejo, excitação, orgasmo. Tem um princípio e um fim. No caso da mulher pode dizer-se que é circular, o que significa que não tem princípio nem fim. Muitas vezes a mulher não tem vontade de ter relações sexuais mas aceita tê-las e acaba por lubrificar, mesmo que lhe apeteça pouco. E por vezes o desejo acaba por aparecer a meio ou até já depois de o homem ejacular. Se quisermos ser objetivos, as coisas estão predeterminadas na espécie humana para que possa haver relações sexuais muitas vezes. Na maior parte dos animais isso não acontece. A cadela, por exemplo, só tem cio duas vezes por ano e não consente qualquer atividade sexual fora dessa altura. Mas a mulher pode ter uma relação sexual em qualquer altura, mesmo sem desejo.
O facto de o conseguir, ao contrário do homem, faz com que a ciência não tenha investido tanto na criação de fármacos para a mulher?
É uma das explicações. Mas a verdade é que, em relação à sexualidade feminina, ainda se conhece pouco. E especula-se muito. A resposta sexual do homem conhece-se bem e é muito clara. A da mulher deixa imensas dúvidas. Além de que é muito mais fácil estudar um órgão que está visível e que se observa o que acontece com ele do que os genitais femininos, que estão escondidos. Tudo é mais difícil. Por outro lado, a complexidade e a variabilidade de mulher para mulher é muito maior.

A frequência das relações sexuais pode fazer aumentar ou diminuir o desejo?

Em princípio não. As relações são em função do desejo e não vice-versa. O problema num casal é quando um tem muito mais desejo do que o outro. Normalmente o homem tem mais vontade e mais iniciativa. Mas muitas vezes é egoísta e não se esforça nada por criar ambiente nem investe nos preliminares. A maior parte dos homens não percebe nada de sexualidade porque ninguém os ensinou. Um dos dramas masculinos é que, de facto, os homens não percebem nada de mulheres. Com uma agravante. Além de não perceberem nada, agora estão assustados porque as coisas estão a mudar. Havia um grande domínio masculino nesta área. Os homens tomavam a iniciativa e elas aceitavam. Mas agora elas já reivindicam. E até já tomam a iniciativa. O padrão está muito confuso e os homens não estão preparados para isso. Têm medo da sexualidade delas.

Por Joana Pereira Bastos in Jornal Expresso.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Condenamos os outros com facilidade!!!


Todos Erramos

Apontamos quase sempre o dedo a quem erra... Condenamos os outros com enorme facilidade. Compreendemo-los pouco, perdoamo-los ainda menos. Mas, será que atirar pedras é o mais justo, eficaz e melhor?

Temos uma necessidade quase primária de julgar o comportamento alheio, de o analisar e avaliar ao mais ínfimo detalhe, sempre de um ponto de vista superior, como se o sentido da nossa existência, a nossa missão, passasse por sentenciar todos quantos cruzam a sua vida com a nossa... condenando-os... na firme convicção de que assim estamos a ajudar... a melhorar. 

Comete erro em cima de erro quem se dedica a julgar os erros dos outros... 

Julgamos de forma absoluta, na maior parte das vezes, generalizando um gesto ou dois, achando que cada pequena ação revela tudo quanto há a saber sobre determinada pessoa... mais, achamos que cada homem ou é bom ou é mau... como se não fossemos todos... de carne e osso... de luz e sombras.

Já a nós não nos julgamos nem nos deixamos julgar. Consideramos que, no caso específico da nossa vida, são tantos os factores que têm de se levar em conta (quase todos atenuantes) que se torna impossível qualquer tipo de veredicto... optando, assim, por uma espécie de arquivamento dos processos dada a complexidade das questões. Reconhecemo-nos incapazes de ponderar tudo... mas se em nós não conseguimos avaliar o erro, por que razão estamos tão à vontade quando se trata do dos outros?

É curioso, e uma prova da inteligência comum, que partindo da verdade universal de que todos erramos, nos sirva mais isso para nos desculparmos a nós mesmos do que aos outros... afinal, nós não somos superiores àqueles que passamos a vida a condenar. Por isso, devíamos ser capazes de os desculpar tanto quanto o fazemos a nós próprios. Mais, pode acontecer que alguém tropece, depois de nós, numa pedra que nós não atirámos para fora do caminho... 

Quem erra, faz-se vagabundo. Vai contra a sua vontade mais profunda, afasta-se da verdade. Erramos de cada vez que nos deixamos levar pela tentação das paixões momentâneas, pelos juízos precipitados e levianos... sempre que nos deixamos seduzir pelas falsas e brilhantes luzes das aparências... ao errar afastamo-nos de nós mesmos, perdemo-nos... em vazios.
 
Acreditamos que as nossas sentenças revelam, através do nosso sempre muito afiado sentido de justiça, a superioridade moral de uma vida acima do comum... quando afinal tal consideração apenas nos afasta, ainda mais, da verdade de nós mesmos. 

Numa vida acabada é sempre mais fácil dar sentido ao erro... Mas, no dia-a-dia desta nossa existência a fazer-se, quem comete o maior erro: o que não tenta para não errar ou o que erra tentando acertar? 
Precisaremos sempre de quem nos anima a corrigirmo-nos, não de quem nos reprova e só sabe magoar... 

Não somos seres perfeitos a quem o erro degrada, mas antes seres imperfeitos a quem o erro pode ensinar. 
Errando, posso ter noção do que sou, de onde estou e do caminho que devo fazer. 

Na desorientação geral do nosso tempo, há algo que se pode (e deve) fazer: ir ao encontro de quem falha e aceitá-lo como igual. Construindo um caminho conjunto, longe dos julgamentos... para mais perto da perfeição. 

O mais justo, eficaz e melhor será mesmo compreender e perdoar, pois quem erra, engana-se. A si mesmo. E isso, na maior parte dos casos, já é pena suficiente. 

Nunca faltará quem nos julgue... mas muito mais valioso será quem, com humildade, nos aceite... quem nos ame, apesar de tudo. 

José Luís Nunes Martins, in Amor, Silêncios e Tempestades